Amanda

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segunda-feira, 6 de outubro de 2014

O ácaro poeta

Pessoal,
Sei que fiquei ausente, nada de novidades, não por aqui. É que tantas coisas estão acontecendo que fiquei sem tempo de parar para escrever. Mas aí vai, uma nova poesia de Cáton, o ácaro. Entendi que Cáton é meu alter-ego, se é que posso dizer isso, muito mais interessante do que a vida real, por ser tão minúsculo e inconveniente...
Além do texto, andei criando umas imagens, ele começa a ganhar vida, esse ácaro promete.


As angustias de um ácaro existencial

Cáton vive seus dias dentro do armário,
O que parecia tranquilidade se transforma.
Cáton, um ácaro contraditório,
Silêncio e barulho,
Cores e escuridão,
Pessoas e solidão.
O minúsculo ácaro olha para o quarto,
No quarto há uma janela,
O dia está bonito
Bom para fazer o que?
Cáton não sabe o que fazer,
Parece criminoso não querer fazer nada.
Parece estranho estar tudo tão bem,
Tão calmo, tão organizado,
Será que é normal?
É normal pensar? Duvidar? Não saber? Dormir?
É normal querer tudo e nada ao mesmo tempo?
É estranho?
Cáton gostaria de escrever poesias,
Um ácaro poeta,
Mas quem poderia ler palavras tão pequenas?
Em tempos tão dinâmicos,
Seria estranho propor uma pausa,
Uma mudança de astral.
Vamos fazer nada?
Cada um no seu canto,
Sozinhos,
Pequeninos,
Simples e magistral.
Cáton, um ácaro poeta!
Costurando palavras nas sensações,
Preenchendo de versos a realidade pueril,
Poesia que espirra.
Poesia que faz cócegas.
Cáton corre atrás de seu objetivo,
Versos e mais versos surgem,
Para cada vestido um verso,
Para cada meia, uma palavra especial,
Cada lenço, uma vírgula triunfal,
Para camisas delicadas, parênteses acolhedores,
As jaquetas estilosas, rainhas das exclamações!!!
E aquela saia? Dúvida existencial.
Ser ácaro e ser poeta,

Uma vida marginal!


Esse era Cáton, ao natural, mas tudo ficou diferente...
Ele descobriu uma poeira azul e virou um ácaro cheio de estilo

Mesmo sozinho no armário escuro ele agora é um ácaro especial.

Suas cores e seus humores se transformaram afinal.

As vezes fica melancólico.

E as vezes sente as interferências da Lua...


Beijos a todos, espero que gostem!!!!!
Amanda Miorim